O SIGNIFICADO DO NÚMERO 70 NA BÍBLIA SAGRADA
INTRODUÇÃO: Conforme Isaías 23.15, 70 anos era tido como a idade de um rei, pois assim está escrito:
“Naquele dia Tiro (rocha) será posta em esquecimento por setenta anos, conforme os dias de um rei; porém no fim de setenta anos Tiro cantará como uma prostituta.”
Portanto, a expressão: “Tiro cantará como uma prostituta” fala do esquecimento deste reino, pois em Ezequiel 28, Tiro é descrita como uma cidade de grande beleza, sabedoria e poder comercial, governada por um rei arrogante que se considerava um deus, e sua destruição total, veio a se tornar em um lugar para pescadores secarem sua redes, que teve o seu cumprimento através da invasão de Alexandre, o Grande.
Assim sendo, seu orgulho e soberba foi tão grande, começando pelo rei Itobal II conforme Ezequiel 28.1-3, que serviu de lamentação da queda do Querubim Ungido, que de Querubim perfeito foi expulso do Éden de pedras preciosas por causa de seu orgulho, soberba e maldade.
Portanto, a cidade de Tiro era marcada por prosperidade e poder, sendo uma cidade fenícia costeira, tinha um porto estratégico e um centro comercial, conhecida por sua riqueza, pela sua navegação, sua frota de navios, seu exército e seus mercadores que negociavam pelo mar, conforme Ezequiel 27,1-25, e pela sua riqueza que conforme Zacarias 9, 3, diz:
"Tiro edificou para si fortalezas, e amontoou prata como pó, e ouro fino como a lama das ruas"
Sendo assim, esta profecia destacava a grande riqueza e o orgulho da cidade de Tiro, prevendo que, apesar de toda a sua acumulação de bens materiais, estes seriam considerados sem valor no dia do seu julgamento e destruição divina, servindo de uma lição para todos nós, pois existe duas formas de acumular riqueza, ou seja: Bens materiais e bens espirituais, riquezas que perecem e riquezas que permanecem; riquezas acumuladas dentro da própria pessoa, ou riquezas acumuladas fora da própria pessoa, e essas levou O arrogante rei de Tiro a se ensoberbecer com sua riqueza, seus bens materiais, e a sua exaltação bem como a própria sabedoria, dizendo: "Eu sou Deus; no coração de Deus me sento no meio dos mares", sendo homem e não Deus, segundo Ezequiel 28:2.
Assim sendo, conforme Provérbios 16:18, assim está escrito:
"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda".
Ainda em Isaías 2:17:
"A arrogância do homem será abatida, e a sua altivez será humilhada; só o SENHOR será exaltado naquele dia".
E por fim Tiago 4:6 e 1 Pedro 5:5: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes".
Desse jeito, estes versículos transmitem a ideia central de que o orgulho e a arrogância levam à destruição e que somente Deus será exaltado.
Portanto, Deus profetizou que nações estrangeiras trariam estrangeiros (como Nabucodonosor e Alexandre o Grande) para destruir suas muralhas, e a cidade seria reduzida à uma rocha nua no meio do mar, onde redes de pescadores seriam estendidas, conforme Ezequiel 26:1-14.
Assim sendo, quando a profecia se cumpriu com a invasão e destruição de Tiro por Alexandre, o Grande, o mesmo construiu um aterro para chegar à cidade-ilha, transformando-a no que é hoje, um monte de ruínas submersas.
Conforme já foi mencionado em Ezequiel 28:12-19, descreve uma lamentação que vai além do rei humano, referindo-se a um "querubim ungido" que habitava no Éden, coberto de pedras preciosas, simbolizando a perfeição original de Satanás, o "anjo que guardava", como detalhado em Ezequiel 28:14 e Ezequiel 28:16.
Portanto, duas coisas levam anjos e seres humanos a destruírem a si mesmos: Orgulho e depois a Queda.
Assim sendo, a beleza física e a sabedoria levou o Querubim Ungido a cultuar à si mesmo conforme Ezequiel 28.17, que elevou-se o seu coração por causa da sua formosura, corrompeu a sua sabedoria, por causa da sua glória e por terra foi lançado pelo criador, vindo a se transformar em Satanás, pois através de seu orgulho, corrompeu a sua santidade e o resultando final de sua rebelião foi ser expulso (do monte de Deus), comparável à destruição de Tiro, como descrito em Ezequiel 28:15.
Dessa maneira, como já foi dito, repito: Assim como o rei de Tiro, Satanás se tornou orgulhoso de sua própria beleza e poder, resultando em sua queda e condenação, sendo um paralelo para a soberba humana, conforme Ezequiel 28:17.
Concluindo, Ezequiel 28 é uma profecia dupla: um julgamento contra a arrogância do rei de Tiro, com reflexos em sua cidade, e uma alegoria da queda de Satanás, ambos por causa do orgulho e da rebelião contra Deus, segundo a interpretação de Ezequiel 28.
Assim sendo, a antiga cidade de Tiro, localizada no atual Líbano, foi uma das mais importantes e prósperas cidades-estado da Fenícia, conhecida principalmente pelo seu poder comercial e marítimo nos dias do rei Salomão, que inclusive segundo a história, estiveram no Brasil, pois sua localização era estratégica com a sua produção de tintura púrpura.
Portanto, a cidade de Tiro era um grande centro comercial e um "portal das nações" na antiguidade, e seus habitantes eram navegadores habilidosos que estabeleceram um vasto império comercial e fundaram colônias prósperas em todo o Mediterrâneo, incluindo Cartago e Cádiz.
Sendo assim, Cartago ficava no Norte da África, na atual Tunísia (perto de Túnis), enquanto Cádis (ou Cádiz) está localizada no sul da Espanha, na “Andaluzia”, numa península entre o Atlântico e o Mediterrâneo, sendo uma das cidades mais antigas da Europa Ocidental, fundada por fenícios como uma colônia estratégica.
Portanto, ambas foram fundadas por fenícios, mas Cartago foi uma grande potência rival de Roma, e Cádis tornou-se um importante porto comercial.
Localização Detalhada
Cartago:
Região: Norte da África.
País Atual: Tunísia.
Proximidade: Situada em uma península próxima à moderna capital, Túnis, e faz parte do sítio arqueológico de Cartago, um Patrimônio Mundial da UNESCO.
(Cádiz):
Região: Sul da Espanha, na Comunidade Autônoma da Andaluzia.
País Atual: Espanha.
Proximidade: Localizada numa península na costa atlântica, entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo, na província de Cádis.
História e Conexão Fenícia
Diante do exposto, ambas as cidades foram fundadas pelos fenícios, com Cartago em 814 a.C. e Cádis por volta de 1100 a.C., sendo centros de rotas comerciais importantes.
Dessa maneira, Cartago se tornou um vasto império marítimo, rivalizando com Roma (Guerras Púnicas), enquanto Cádis (originalmente Gadir) foi um posto avançado fenício que se tornou em um porto crucial para o comércio espanhol com as Américas.
Assim sendo, Gadir, o nome fenício original da atual Cádis, foi um porto de suma importância para o comércio espanhol com as Américas, especialmente a partir do século XVIII, quando se tornou o porto exclusivo do império para o comércio transatlântico, nos levando a entender que desde os dias do rei Salomão já havia uma poderosa navegação entre os oceanos.
Do Monopólio de Sevilha a Cádis
Sendo assim, Inicialmente, a Coroa Espanhola estabeleceu um rígido monopólio comercial, centralizando todo o fluxo de bens e riquezas em um único porto: Sevilha. Isso visava garantir o controle total sobre as riquezas provenientes das colônias, principalmente ouro e prata, e evitar a ação de corsários e o contrabando.
No entanto, devido a problemas de navegabilidade do rio Guadalquivir, que levava a Sevilha, e à crescente necessidade de um porto mais acessível e profundo para os navios maiores da época, a Casa de Contratação (órgão que regulamentava o comércio colonial) foi transferida para Cádis em 1717.
O Papel Central de Cádis
Assim sendo, com a transferência, Cádis (Gadir) consolidou-se como o principal eixo do comércio espanhol com as Américas, florescendo imensamente com o fluxo de metais preciosos e outras mercadorias.
Ponto estratégico: Sua localização atlântica facilitava a conexão entre o Mediterrâneo, a África e o Novo Mundo.
Monopólio: De 1717 até 1778, Cádis operou sob um regime de monopólio, sendo o único porto espanhol autorizado a realizar o comércio com as colônias, utilizando o sistema de frotas e comboios.
Centro de Tráfico Negreiro: A cidade também se tornou um polo internacional do tráfico transatlântico de escravizados, sendo um ponto chave de entrada de africanos escravizados para o império espanhol.
Riqueza e Desenvolvimento: A cidade prosperou economicamente e tornou-se um ponto de intersecção de culturas e mercadorias, onde se encontravam fluxos africanos, asiáticos e americanos com a migração de povos desses continentes.
Portanto, o monopólio de Cádis foi finalmente quebrado com o "Regulamento de Comércio Livre" de 1778, implementado pelo rei Carlos III, que abriu o comércio para outros portos espanhóis e coloniais, marcando uma nova fase na política comercial da Espanha.
Levando isso em conta, Cartago, uma potência marítima originária da Fenícia, era mestra no comércio e na navegação, e sua interação com o Oceano Atlântico foi marcada por expedições de exploração e rotas comerciais, embora a maior parte de sua atividade se concentrasse no Mediterrâneo, conforme atesta Ezequiel 27. 1-36, a partir da cidade de Tiro.
Navegação e Comércio no Atlântico
Potência Marítima: A riqueza de Cartago baseava-se fundamentalmente no comércio marítimo e no domínio de rotas comerciais, com uma frota naval impressionante que podia abrigar até 220 navios de guerra em suas docas circulares internas (cothon).
Além das Colunas de Hércules: Os cartagineses estabeleceram rotas que iam além do Estreito de Gibraltar (as "Colunas de Hércules") para acessar recursos valiosos, como metais preciosos (estanho, prata) das regiões da Península Ibérica e, possivelmente, das Ilhas Britânicas.
Exploração da Costa Africana: Uma das mais famosas expedições atlânticas foi a de “Hanno”, o Navegador, que liderou uma grande frota ao longo da costa oeste da África, provavelmente chegando até a região do atual Gabão ou Camarões, estabelecendo entrepostos comerciais e colônias ao longo do caminho.
Assim sendo, o relato dessa viagem, o Périplo de Hanno, é uma das poucas fontes primárias cartaginesas sobreviventes.
Rotas para o Norte: Outro navegador cartaginês, “Himilcão”, explorou a costa atlântica europeia, navegando para o norte ao longo da Península Ibérica e, possivelmente, chegando às Ilhas Britânicas, também em busca de recursos, especialmente estanho.
O "Mundo Atlântico" Cartaginês
Em consequência disso, diferentemente das Grandes Navegações portuguesas e espanholas dos séculos XV e XVI, que visavam a uma circum-navegação ou rotas para as Índias, a navegação atlântica de Cartago era focada em rotas costeiras para fins comerciais e de exploração de recursos específicos.
Assim sendo, eles mantinham essas rotas e o conhecimento sobre elas em segredo para proteger seus monopólios comerciais, o que contribui para a escassez de registros detalhados, provando que as inscrições na pedra da gávea no rio de Janeiro, na paraíba e em outros lugares, é a prova cabal da vinda dos Fenícios ao Brasil, desde os dias do rei Salomão.
Em suma, a navegação atlântica de Cartago foi notável por sua ousadia em uma época em que o oceano era em grande parte desconhecido pelos povos mediterrâneos, demonstrando suas avançadas habilidades navais e seu ímpeto.
Produção de Tintura Púrpura: A cidade era mundialmente famosa pela produção de um valioso pigmento púrpura, extraído de moluscos locais.
Portanto, essa tintura era altamente cobiçada e um dos pilares de sua economia e riqueza.
Arquitetura e Engenharia: Os tírios eram conhecidos por sua habilidade na metalurgia e no trabalho artístico com cobre e outros metais.
Assim sendo, o rei Hirão de Tiro, por exemplo, forneceu madeira de cedro e artesãos para o rei Davi e Salomão, para a construção do palácio e do templo em Jerusalém.
Sendo assim, suas muralhas na ilha chegavam a impressionantes 46 metros de altura.
Monarquia e Religião: Diferente de algumas cidades comerciais independentes, Tiro era uma monarquia e manteve essa forma de governo por muito tempo.
Portanto, a cidade adorava divindades locais, sendo Melcart um dos seus deuses principais.
Resiliência e Conquistas: A cidade enfrentou e sobreviveu a inúmeras conquistas ao longo de sua história.
Como por exemplo, foi sitiada por Nabucodonosor II por 13 anos e, posteriormente, foi conquistada por Alexandre, o Grande, que construiu um aterro unindo a ilha ao continente para alcançar suas muralhas, o que mudou permanentemente sua geografia.
Hoje, as ruínas de Tiro, que incluem estruturas romanas submersas e colunas caídas, são um testemunho de sua antiga glória e um Sítio do Patrimônio Mundial da UNESCO.
Levando isso em conta, em Isaías 23.15, encontramos a menção de 70 anos como medida de esquecimento de Tiro, “conforme os dias de um rei”. Esse uso reforça o simbolismo cultural e teológico de 70 anos como um ciclo completo, típico de reinados, tempos de julgamento ou exílio.
Portanto na Bíblia Sagrada, o número 70 simboliza totalidade, plenitude e universalidade frequentemente representando todas as nações ou um número completo de pessoas para uma missão, como os 70 discípulos enviados por Jesus ou os 70 anciãos de Israel; sendo um múltiplo de 7 (perfeição) e 10 (totalidade) e aparece em profecias como as 70 semanas de Daniel e no perdão "70 vezes 7".
Exemplos de Uso e Significado:
Universalidade e Missão:
70 Discípulos: Jesus Cristo, enviou 70 discípulos para pregar, simbolizando a missão do Evangelho a todas as nações.
Nações: Gênesis (cap. 10) lista 70 nações descendentes de Noé, ligando 70 à totalidade dos povos.
Totalidade e Ordem Divina:
70 Anciãos: Moisés nomeou 70 anciãos para ajudá-lo, representando a liderança completa do povo.
70 Palmeiras em Elim: Em Êxodo, havia 12 fontes e 70 palmeiras, simbolizando refrigério e provisão para os 70 membros da família de Jacó que foram ao Egito.
Profecia:
70 Anos de Exílio: A profecia de Jeremias sobre os 70 anos de cativeiro babilônico simboliza um período completo de julgamento.
70 Semanas de Daniel: Uma profecia crucial sobre o tempo para a vinda do Messias e o fim do pecado, com o reinado de mil anos de Jesus Cristo na terra, após a grande tribulação, penúltima investida de Satanás e seus demônios para destruir a terra, pois sua última investida juntamente com os ímpios será após o milênio, conforme Apocalipse 20.7-10.
Perfeição no Perdão: Jesus instrui Pedro a perdoar "setenta vezes sete", significando perdão ilimitado e perfeito, não um número literal, pois Ele deixou bem claro que se alguém não perdoar, também não será perdoado por Deus (Mateus 6.14,15).
Conclusão:
O número 70 não é apenas uma quantidade, mas um conceito bíblico que aponta para a plenitude, a abrangência da obra de Deus e a conclusão de um período, seja para julgamento ou salvação, refletindo a combinação dos números da perfeição (7) e da totalidade humana (10).
Pastor João Augusto Viana Neto.


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