AS DUAS AÇÕES QUE REGEM A EXISTÊNCIA HUMANA PARA O BEM OU PARA O MAL

Pr. João Viana
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AS DUAS AÇÕES QUE REGEM A EXISTÊNCIA HUMANA PARA O BEM OU PARA O MAL



PROLEGÔMENOS: Conforme a filosofia do “ser e do não ser; do ter e do não ter”, todo ser humano tem a capacidade intelectual de decidir à partir do que pensa e sentir o que deseja, o que depois se materializa através das suas ações, como por exemplo, as ações de crer manifesta a nossa fé e a ação de não crer se manifesta pelo fato de não termos fé, pois a fé nos leva a crer e a ausência de fé isenta a própria pessoa de crer, e assim entendemos que tudo o que pensamos, sentimos e fazemos, primeiro se aplica a nós mesmos depois a Deus, em seguida ao próximo e até mesmo ao diabo, pois primeiro somos e existimos dentro de nós mesmos para depois ser e existir exteriormente falando, pois conforme Provérbios 23.7a, o ser humano “é” o que pensa para depois se revelar em palavras e ações, como aconteceu com Caim que passou a “ser” do diabo por decisão própria depois de se afastar da presença de Deus, conforme Gênesis 4.16; 1 João 3.12, e assim sendo, Deus nos criou com a capacidade de “ser” ou deixar de “ser” mas mediante o arrependimento voltar a “ser” a pessoa que “era”.


Assim sendo, a primeira aquisição que todo ser humano passa a “ter” em sua vida manifesta o “ser” em primeiro lugar em seu próprio caráter, para depois se manifestar durante toda a sua vida através aquilo que ele(a) realmente “é” e realmente “tem”, pois pelo fato de não existir vidas vazias, todo ser humano se encontra “cheio” de coisas más ou de coisas boas e assim cada pessoa “é” realmente aquilo que ela “faz” conforme Romanos 1.29-32; Efésios 5.18.


Desse jeito, todo ser humano “tem” mas também “é”, pois no que diz respeito a “ser” ou não “ser”, isso está relacionado a “ação” de cada pessoa como o falar que é a expressão da nossa voz, mas “ter” o que falar é ação da nossa mente e do nosso sentimento.


Assim sendo, Jesus Cristo em Mateus 9.23 disse: Se tu podes crer, tudo é possivel ao que crer e assim entendemos que nada é possível ao que não crer conforme João 11:40, onde Jesus diz a Marta: "Não te disse eu que, se creres, verás a glória de Deus?


Dessa maneira, tudo quanto existe no âmbito espiritual, é preciso primeiro crer pela fé e também ver pela fé, mas no âmbito material a tendência humana é primeiro ver para depois crer.


Sendo assim, todo ser humano existe em dois mundos paralelos, ou seja: No mundo material onde se “vê” e no mundo espiritual onde não se “vê”, mas acerca de crer definido em Hebreus 11. 1 assim diz: ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem.


Portanto as ações de crer significam ter fé e as de praticar as obras dependem de ações, formando a base da existência humana física e espiritual. 


Assim sendo, essas duas condições do ser humano representam a decisão de acreditar ou não acreditar em um propósito onde acontece  a materialização dessa crença no mundo material, onde uma sustenta a outra para que a vida tenha coerência e transformação real, mas também acontece no mundo espiritual através da fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus, conforme  Hebreus 11.6.

1º) - A Dinâmica Humana de Crer ou não crer.

Portanto, a questão de “crer” ou não “crer”, não estabelece nenhuma realização material ou espiritual na vida do ser humano pelo fato da pessoa apenas “crer”, e sim por obras, pois apenas o realizar e o praticar demonstra se existe dentro nós fé e ação ou se não existe nada disso, pois quem tem fé faz e quem não tem fé não faz, visto que a fé também aparece em nossas ações.

Assim sendo, através da minha fé mas também da minha ação eu apareço e sem a mesma eu desapareço pois faltou a ação, como por exemplo, alguém dizer apenas em palavras eu te amo, mas faltar a ação do amor.

Portanto, a base interior da vida humana consiste em “crer” mas também em “praticar” pois “crer” revela a nossa certeza e “praticar” revela a nossa “ação” pois somente através das nossas ações, é que revelamos realmente quem somos.

Dessa maneira, em nossas decisões através de nossas ações realmente revelamos o que realmente está fundamentado dentro de nós, dando sentido à nossa própria existência, nos moldando através das nossas atitudes dentro dos princípios pelos quais orientamos à nossa própria vida, pois lamentavelmente o ser humano apenas “crê” naquilo que se ouve e “vê”  e não naquilo que se “faz”: síndrome de Tomé.

Assim sendo, entendemos que a vida do ser humano não consiste em apenas “ter”, (seja interiormente ou exteriormente) mas em “ter” e também em  “ser”, pois existimos na encruzilhada desses dois caminhos e assim nessas duas direções da vida podemos decidir e também prosseguir em direção ao bem ou decidir em ir em direção ao  mal, já que vivendo no meio desses dois caminhos da vida, cabe a cada um de nós escolher em que direção devemos seguir, pois Deus nos criou com o livre arbítrio, nos capacitando a tomar as nossas próprias decisões a respeito do caminho que queremos seguir e no final colhermos os resultados do caminho que escolhemos andar.

2º) -  A Dinâmica na Vida do Praticar ou do Não Praticar.

Dessa maneira, a materialização dos nossos pensamentos acontece através das nossas ações, nos levando a viver uma vida prática da nossa existência humana ou daquilo que acreditamos.

Portanto, seja pensando ou tendo fé, ambas as coisas exigem atitudes concretas em suas realizações, pois o coração humano, como o centro da nossa existência, é como o diretor do nosso pensamento e ainda sobre a atividade humana é dele que procedem as saídas da vida conforme Provérbios 4.23, mas também as saídas da morte de acordo Marcos 7.21-23, representando o centro da totalidade do intelecto, das emoções e da vontade própria.

Assim sendo, a materialização acontece em nossa vida através das nossas ações, daquilo que acreditamos, pois viver significa também ter atitudes, e lamentavelmente também existem atitudes para o mal, pois quando leio Isaías 45;.7, o termo “formar” proveniente do hebraico “Yatsar” ou dar nova forma algo já existente, bem como o termo “criar” do hebraico “trazer a existência a partir do nada” provém de Deus, o único criador de tudo quanto existe, mas agora no que diz respeito à questão de fazer o bem ou de fazer o mal, isso depende de Anjos e também seres humanos, os quais foram criados com o livre arbítrio, que os capacita a escolher e fazer suas próprias vontades, pois o princípio ético que materializa todas as coisas, acontecem através do nosso agir, partindo de tudo aquilo que nós mesmos acreditamos, seja no sentido físico e moral, ou no sentido do nosso espírito acerca das coisas espirituais, que se realizam através do entendimento e da fé, e não apenas da razão, onde demonstramos a nossa verdadeira crença, pois a nossa crença sem ação é considerado como algo vazio e a nossa verdadeira transformação da vida humana para o bem ou para o mal é apenas o resultado daquilo que cada dia construímos dentro de nós mesmos conforme Hebreus 11.1.

CONCLUSÃO: Assim sendo, a nossa existência se desenvolve dentro de um mundo paralelo, material e físico; transcendental e espiritual.

Portanto, viver simultaneamente em um mundo material/físico e em um mundo transcendental/espiritual significa reconhecer a dualidade da existência humana. 

Dessa maneira, viver em um mundo paralelo significa ter a experiência de estar fundamentado no plano sensorial dos cinco sentidos como: visão, olfato, paladar, tato e audição que se manifesta através dentro de um corpo, matéria e tempo, mas também em um mundo transcendental/espiritual através da nossa consciência operando dentro de cada ser humano em uma realidade física mas também espiritual, visível mas também invisível através de nossos sentidos, propósitos, e realizações que fluem dentro de cada ser humano. 

1. O Mundo Imanente e o mundo transcendente. 

Conforme o ensino das escrituras sagradas, os termos “imanentes” e “transcendentes” descrevem duas formas opostas de existência, mas que se complementam em compreender as realidades da existência física, e também da existência espiritual.

Assim sendo, o mundo imanente em que vivemos se refere ao  mundo material, físico e palpável do “aqui e do agora” onde é visto, ouvido e sentido através dos cinco sentidos no corpo humano, enquanto o mundo transcendente se refere ao mundo espiritual, metafísico entendido além da realidade física do ser humano.

Portanto, a “etimologia” da palavra imanente vem do latim que significa “permanecer dentro” ou “estar contido em” e no caso do ser humano é viver contido dentro de um corpo, enquanto a etimologia do latim, transcendente significa “ultrapassar” ou “ir além”, que no que diz respeito ao aspecto espiritual, é ir além do físico, ou do corpo, e entrar em uma dimensão espiritual através da mente no bem ou no mal.

Dessa maneira, o mundo transcendental do ser humano acontece de duas maneiras, ou seja: Através da oração em contato com Deus, ou através do exercício do vazio da mente, usando a própria mente apenas como um receptor, estando em um estado vazio, ou como transmissor, estando em um estado de ação.

Portanto, usar a mente como receptor ou como transmissor significa compreender que os pensamentos e a consciência não são gerados isoladamente apenas pelo cérebro, mas funcionam como um sistema de sintonia entre a consciência e a ação, que se traduz pela capacidade humana de perceber a si mesmo, a Deus pela fé e a tudo o que existe ao seu redor.

Assim sendo, o cérebro capta informações de um campo maior físico ou espiritual e, por sua vez, transmite essas informações e as próprias intenções para o ambiente ou alvo desejado.

Diante do exposto, a filosofia e a neurociência entendem que a consciência funciona como um antena, atuando como uma forma análoga como um receptor de um rádio, recebendo mas também transmitindo informações.

Dessa maneira, a existência humana é a nossa experiência de consciência marcada pela razão, liberdade de expressão e busca pelo verdadeiro sentido da vida à partir de informações recebidas, partindo do criador através da sua santa palavra, o único autor de toda a existência, pois todos nós devemos ter muito cuidado em conhecer o verdadeiro sentido da nossa existência, ainda mais agora na era digital, oonde as informações moldam nossa percepção muitas vezes distantes e falsas da realidade, influenciando nossos pensamentos, comportamentos e as nossas decisões diárias, nos forçando a navegar entre o conhecimento adquirido e a fé falsa ou verdadeira que sobrecarrega o ser humano a ter estímulos positivos ou negativos de acordo as informações recebidas.

Portanto, cada pessoa é responsável pelos seus próprios atos e conforme a Bíblia Sagrada devemos nos queixar apenas dos nossos próprios pecados pois a nossa vida consiste em escolhas conforme Lamentações 3.39.

Assim sendo, cada ser humano é apenas aquilo que ele planta dentro dele mesmo, sendo ele a sua própria lavoura.

Por fim, duas coisas imprescindíveis devem reger a nossa vida humana e espiritual, que são: A razão e a nossa fé, pois como vivemos em um mundo paralelo, a nossa realidade de vida é tanto humana como espiritual. 

Portanto, a melhor ou a pior construção que existe, é tudo aquilo que vamos construindo dentro de nós mesmos no dia-a-dia.


Pastor João Viana


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